segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Fim de Ano

Grafite e tinta da china sobre papel
Reconstituição dez anos depois

P.S.Favor clicar sobre a poesia para aumentar!
Poema de 1989
Publicado na Revista Literária Aventuras do Diálogo nº 1, p.11 - Junho de 1994

Associo sempre a esta imagem os versos de António Ramos Rosa "o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente e debitou-me na minha conta de empregado. Sou um funcionário cansado de um dia exemplar..."

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

O Monte


















O MONTE - 1985

Primeiro apeteceu-me sair
à procura
arrastei os pés para te sentir real
a cada passo
lá estavas imóvel como te esperava
fielmente há anos
Abriguei-me do calor na rama de um cedro
e descansei a vista no teu corpo
pleno de força e tão quieto
Não me surpreenderia se o teu dorso
redondo de restolho e palha
de repente se pusesse a arfar
e a vida te habitasse Terra Mãe
.
Publicado no Anuário de Poesia de Autores não publicados da Assírio e Alvim - 1986 p.82

Lembras-te Irmã?


LEMBRAS-TE IRMÃ? 1974

Lembras-te irmã
da eira velha
de uma manhã orvalhada
do ar frio na pele respirando?
e dos malmequeres
brancos rijos neve
a fazer trr...trrr...
nas nossas botas mágicas
.
.
Publicado na Revista Literária Aventuras do Diálogo nº 1, p. 6 - Junho de 1994
Publicado no Manual "Português 8" Texto Editora - 2003 - 1ª Edição
Mª Assunção Bettencourt e Mª Ascensão Teixeira

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Cadernos de Obra e Cadernos de Casa




Aqui fica a minha gratidão: ao meu cunhado Gery, em Nova
York, que me trouxe o 1º caderno , com um apontamento
lindo da torre da Price Company, de Frank Lloyd Wright,
na capa (que não convém reproduzir.....não vá o diabo tecê-las!)
... deve pagar direitos de autor à Fundação e ao Museu de
Arte Moderna de N.Y...
e à colega de mestrado Rosália que na minha defesa de tese em
16 de Maio de 2002 me ofereceu este exemplar único artesanal,
porque manufacturado por ela...lindo
de fazer inveja, como já não se fabrica, e com um papel óptimo,
fitinha marcadora e tudo! Ainda hei-de desenhar nele um trecho
do Bairro do Curral da Colina de Sant'Ana...só me ficava bem e
era o que vinha a propósito antes que por ali comece o "bota a baixo".

Manhãs

Grafite, tinta da china e lápis de cores sobre papel
.
QUARTO EM TELHEIRAS – Dezembro 2008

Um dia acordei feliz
esquecida da zanga aberta com a vida
A serigráfica "menina do Cutileiro” ainda me espreita
com olhos semi-cerrados de gata
enroscada na própria nudez
empoleirada na parede branca
Há também a janela larga, o quente das madeiras
e o confetti multicor jogado sobre a cama

AZÂNA - 1988

Nas manhãs gloriosas
em que há sol
recebo em minhas mãos
a energia da vida
que de ti me vem
Rosto imerso em luz
sintonizo com o universo
ou com algum deus desconhecido
Sou
entre milhões sem história
e sem tempo
neste ritual saudação ao sol

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Meninas Gordas

Tinta da china e marcadores sobre papel

As Meninas Gordas não pararam este Natal
pois encarreguei-as de dar as Boas Festas aos amigos

Elevador 13 URGÊNCIA

Elevador 13 - URGÊNCIA - 2.2.87
desenho a esferográfica e grafite sobre papel pautado
Progredimos na obscuridade
e só nossos passos nos acompanham
Lá fora sucedem-se claustros enluarados
Progredimos na fronteira do sonho e da noite
poder fechar os olhos
a tua mão na minha
e dizer basta
Onde vamos?
quantas vezes?
quantas noites?
com quem?
Só sombras nos rodeiam

Progredimos ao encontro da luz
um átrio, uma maca vazia e um elevador
Poder parar
Já voltamos
Quantas vezes, quantas noites
apenas nós
no corredor imenso
a tua dor e a minha
Onde vamos?
Poder fechar os olhos

a tua mão na minha
e dizer
Basta

Pelo Fio do Nosso Olhar

Gaivotas 1989
.
Suspensas na tempestade
concentram em si a vida
num gesto
equilíbrio
corpo e ar
Anuladas forças
pairam
sobem
descem oblíquas sobre a praia
Papagaios de papel presos à terra
pelo fio do nosso olhar
.

Grafite e tinta da china sobre papel

Publicado na Revista Literária Aventuras do Diálogo nº 1, p.9 - Junho de 1994
Gaivotas, pombos, andorinhas...quais, quais?...pintassilgos, rouxinóis...cartaxos e pardais, cucos milharucos, cada vez há mais! Premonitória a oferta do Dr. Lemos de um livro das Aves de Lisboa, anos antes de me passar pela cabeça desenhar aves e muito menos deitá-las "à avoar" num sítio chamado Blogue.