Elevador 13 - URGÊNCIA - 2.2.87desenho a esferográfica e grafite sobre papel pautado
Progredimos na obscuridade
e só nossos passos nos acompanham
Lá fora sucedem-se claustros enluarados
Progredimos na fronteira do sonho e da noite
poder fechar os olhos
a tua mão na minha
e dizer basta
Onde vamos?
quantas vezes?
quantas noites?
com quem?
Só sombras nos rodeiam
Progredimos ao encontro da luz
um átrio, uma maca vazia e um elevador
Poder parar
Já voltamos
Quantas vezes, quantas noites
apenas nós
no corredor imenso
a tua dor e a minha
Onde vamos?
Poder fechar os olhos
a tua mão na minha
e dizer
Basta

2 comentários:
Podias ter explicado que voltaste a este interminável corredor para fazer terapia da fala no terceiro piso de ORL. Vinte anos depois os tempos são outros, está tudo impecavelmente limpo e cuidado,já não há repasses, rebocos deteriorados e paredes sujas.
Enquanto me restar folêgo e voz, direi: Basta!
Pena que esse corredores sejam os meus e mas ainda bem que o vão ser por muitos e muitos anos.
Entre o preto e o branco, há o cinzento do teu grafite e todos os cinzentos dos meus dias.
Para ti que sabes do que falo e para quem os vinte anos são toda uma vida (a minha), um abraço. Matilde
Enviar um comentário